Lautaro Martínez e Giuliano Simeone marcaram em Kyle Field, onde a Albiceleste dominou com 71% de posse e confirmou que o trono mundial será defendido com garra — independentemente de quem estiver em campo.

 
 

Oestádio Kyle Field, casa do Texas A&M Aggies e palco de 100 mil torcedores enlouquecidos, recebeu nesta noite a campeã mundial Argentina com uma missão clara: mostrar que mesmo sem seu astro máximo, a Albiceleste continua sendo a força mais temível do futebol global. A resposta veio em forma de 2 a 0 sobre Honduras — um placar justo, construído com método, qualidade e aquela frieza característica dos grandes campeões.

A grande pergunta da noite girava em torno de Lionel Messi. O craque do Inter Miami — afastado desde 24 de maio após sentir sobrecarga muscular em jogo pelo clube — foi relacionado, mas Lionel Scaloni optou por preservá-lo no banco. A multidão em College Station, que não parou de cantar seu nome, ficou sem vê-lo em campo, mas terá a oportunidade de acompanhá-lo já na estreia argentina na Copa do Mundo, em 16 de junho, contra a Argélia.

Temos de ir defender o que conquistamos no Qatar. Vai ser difícil, mas vamos dar tudo para deixar a Argentina o mais alto possível.

— Lautaro Martínez, artilheiro e capitão em campo

Controle absoluto no primeiro tempo

Scaloni escalou um time heterogêneo, misturando experientes como Nicolás Otamendi, Lisandro Martínez e Giovanni Lo Celso com jovens promissores como Agustín Giay e Valentín Barco. O resultado foi uma equipe que dominou a posse de bola com 71% e construiu nove finalizações ainda no primeiro tempo, contra apenas duas de Honduras — cifras que refletem a superioridade técnica com precisão cirúrgica.

Honduras, que não se classificou para a Copa do Mundo 2026, apostou em um bloco defensivo compacto e disciplinado, buscando fechar os espaços e explorar contra-ataques pelo lado de Luis Palma. A estratégia funcionou durante quase 40 minutos, até que uma falta desastrada dentro da área entregou à Argentina a chance que bastava. Lautaro Martínez foi à cobrança do pênalti com calma absoluta e bateu no canto esquerdo de Edrick Menjívar, abrindo o placar aos 37 minutos. O gol levou Kyle Field ao delírio.

Giuliano Simeone e o toque de classe

O segundo tempo começou como continuação do primeiro: Argentina no controle, Honduras tentando sobreviver. A sentença chegou aos 54 minutos, num lance de categoria que resumiu a qualidade individual disponível no elenco de Scaloni. Lautaro Martínez, com um toque de calcanhar milimétrico, ajeitou para Giuliano Simeone, que entrou na área no momento certo, controlou com segurança e finalizou com frieza: 2 a 0.

O filho do célebre técnico do Atlético de Madrid viveu uma noite completa — gol, assistência de seu parceiro, e o reconhecimento de que pode ser uma carta importante na manga de Scaloni durante o torneio. Com a vantagem confortável, o técnico promoveu uma rotação ampla na segunda etapa, dando minutos a Cristian Romero, Alexis Mac Allister, Enzo Fernández e outros titulares que pouco atuaram nos amistosos anteriores.

O que importa: a Copa começa em 10 dias

Para além dos dois gols, a noite em College Station serviu como laboratório de refinamento. Scaloni tem respostas para a lateral direita — onde Giay foi bem —, confirmou Lautaro como referência insubstituível no ataque e viu Giuliano Simeone levantar a mão para um lugar de destaque. O único fantasma que permanece é o nome tatuado nas camisas de toda a torcida: Messi.

A boa notícia, dada pelo próprio Scaloni, é que o capitão treinou parte da sessão com o grupo e evolui dentro do esperado. Se o ritmo de recuperação se mantiver, o camisa 10 estará disponível e com ritmo suficiente para estrear contra a Argélia, no dia 16 de junho, no Arrowhead Stadium de Kansas City. Antes disso, a Argentina tem ainda mais um amistoso pela frente, contra a Islândia, como último teste.

Honduras, por sua vez, encerra esse ciclo com a cabeça voltada para o futuro. Não haverá Copa do Mundo para a equipe centro-americana — uma ausência que gerou críticas internas e acelerou discussões sobre renovação. Mas enfrentar a campeã mundial em Kyle Field, mesmo saindo derrotada por 2 a 0, foi um encontro valioso para medir a distância que ainda precisa ser percorrida.