A Argentina viveu uma noite de sustos no Hard Rock Stadium, em Miami, na passada sexta-feira, antes de confirmar o apuramento para os oitavos-de-final do Campeonato do Mundo de 2026. A actual campeã mundial venceu Cabo Verde por 3-2, ao cabo de mais de duas horas de jogo, num confronto que se prolongou até ao tempo extra e que ficará na memória como uma das maiores surpresas da competição até ao momento.
Messi abre o marcador, mas a surpresa cresce
Lionel Messi voltou a mostrar-se decisivo e adiantou o marcador aos 28 minutos da primeira parte, aproveitando um passe rasgado de Lisandro Martínez para rematar com classe diante do guarda-redes Vozinha. O golo foi o sétimo do capitão argentino neste Mundial e o vigésimo em Campeonatos do Mundo, número que o mantém como o melhor marcador da história da prova. Foi também o oitavo jogo consecutivo de Messi a marcar em Mundiais, uma marca histórica para o avançado.
Na segunda parte, porém, Cabo Verde mostrou porque se tornou a sensação da competição. Deroy Duarte empatou a partida, silenciando por momentos uma assistência maioritariamente argentina. Lisandro Martínez chegou a marcar um grande golo para devolver a vantagem à selecção sul-americana, mas a resposta cabo-verdiana surgiu de imediato: Sidny Cabral apontou aquele que poderá ficar na memória como um dos golos mais bonitos da história do futebol cabo-verdiano, repondo a igualdade e empurrando o desafio para o prolongamento.
Um susto histórico
A exibição de Cabo Verde impressionou pelos números: os "Tubarões Azuis" produziram apenas 0,45 golos esperados (xG) frente aos 2,16 da Argentina, mas conseguiram equilibrar a partida através da organização defensiva e da eficácia. A equipa, que disputava a sua primeira participação num Campeonato do Mundo, chegou aos oitavos-de-final como a selecção pior classificada no ranking a alcançar a fase eliminatória numa estreia mundialista.
No prolongamento, Cristian Romero apareceu para desviar, a curta distância, um cabeceamento de Messi, com um leve toque em Borges que enganou o guarda-redes Vozinha e fixou o resultado em 3-2 — um autogolo que encerrou o percurso de Cabo Verde na competição. Nos minutos finais, Semedo, Cabral e Benchimol ainda tiveram oportunidades para procurar novo empate, mas o resultado manteve-se inalterado.
Alívio para Scaloni
A vitória, tão trabalhada quanto inesperada na sua dificuldade, mantém a Argentina de Lionel Scaloni viva na busca pelo bicampeonato consecutivo. A selecção não passava por um sufoco semelhante numa eliminatória de um grande torneio desde a final do Mundial de 2022, frente à França. Os argentinos seguem agora para enfrentar o Egipto nos oitavos-de-final, num duelo que promete testar ainda mais a capacidade de reacção da actual campeã mundial.
Para Cabo Verde, a eliminação não apaga uma campanha que já entrou para a história do futebol africano e mundial: chegar aos oitavos-de-final na primeira participação num Campeonato do Mundo, arrancando um resultado equilibrado à Argentina de Messi, é um feito que dificilmente será esquecido pelos adeptos do país.
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