A atual campeã do mundo esteve à beira do desastre em Atlanta, chegou a ver Lionel Messi falhar um penálti e passou grande parte da noite a perder por dois golos, mas uma reação fulgurante entre os minutos 79' e 90+2' devolveu à "Albiceleste" um lugar nos quartos de final, à custa de um Egito que esteve muito perto de escrever uma das maiores surpresas da competição.
Poucas vezes um resultado de 3-2 terá escondido tanto drama como o que se viveu esta terça-feira em Atlanta. A Argentina, campeã mundial em título e uma das grandes candidatas a revalidar o troféu, esteve a um passo de protagonizar uma das eliminações mais inesperadas do Mundial 2026, depois de o Egito ter construído uma vantagem de dois golos que, até aos 79 minutos, parecia mais do que suficiente para selar o apuramento dos "Faraós" para os quartos de final pela primeira vez na sua história.
O jogo começou a complicar-se cedo para os sul-americanos. Ainda antes do quarto de hora, Yasser Ibrahim adiantou o Egito com um golo de cabeça, aproveitando uma falha de marcação da defesa argentina num lance de bola parada. A resposta da equipa orientada por Lionel Scaloni não tardou a surgir através de um penálti conquistado ainda na primeira parte, mas Lionel Messi, de forma pouco habitual, viu o guarda-redes egípcio Mostafa Shobeir defender o remate, numa falha que parecia condenar a Argentina a uma noite de sofrimento redobrado.
O Egito a um passo da história
E o sofrimento aumentou. Já na segunda parte, aos 67 minutos, Mostafa Zico bisou para o Egito e colocou o resultado em 2-0, deixando o banco de suplentes africano em êxtase e a claque argentina, instalada nas bancadas do Mercedes-Benz Stadium, visivelmente apreensiva. Durante largos minutos, a seleção egípcia geriu com inteligência a vantagem, fechando espaços e explorando o contra-ataque através de Mohamed Salah e Emam Ashour, enquanto a Argentina acumulava posse de bola sem conseguir traduzi-la em perigo real.
Tudo mudou nos últimos dez minutos da partida, num daqueles períodos de loucura que ficam para sempre associados à história dos Mundiais. Aos 79 minutos, Cristian Romero apareceu a rematar de dentro da área após um canto mal defendido, reduzindo para 2-1 e devolvendo esperança a uma Argentina que, até então, parecia condenada. Quatro minutos depois, aos 83', foi a vez de Lionel Messi se redimir da grande penalidade falhada, ao surgir isolado na área para empatar o encontro num remate cruzado, colocado fora do alcance de Shobeir. O Mercedes-Benz Stadium explodiu, e o capitão argentino não escondeu a emoção, com lágrimas visíveis enquanto celebrava junto aos companheiros.
A machadada final chegou já em tempo de compensação. Aos 90+2 minutos, Enzo Fernández, um dos jogadores mais influentes da equipa ao longo de todo o Mundial 2026, completou a reviravolta com um remate certeiro após mais uma jogada trabalhada pelo meio-campo argentino, decretando o 3-2 final e apagando, em poucos minutos, todo o trabalho construído pelo Egito ao longo do encontro. No apito final, o médio do Chelsea resumiu o sentimento do balneário argentino, recordando que a equipa "nunca se dá por vencida", quatro anos depois da conquista do título no Qatar.
Próximo desafio nos quartos de final
Com este triunfo sofrido, a Argentina garante presença nos quartos de final do Mundial 2026, onde vai defrontar o vencedor do confronto entre Colômbia e Suíça, disputado poucas horas depois em Vancouver. Para o Egito, fica a desilusão de uma eliminação nos instantes finais, mas também o mérito de ter colocado em sérios apuros a atual campeã mundial, confirmando os progressos evidentes da seleção africana ao longo de todo o torneo disputado nos Estados Unidos, no México e no Canadá.
Egito:Mostafa Shobeir; Karim Hafez, Rami Rabia, Yasser Ibrahim, Mohamed Hany; Haissem Hassan, Mohanad Lasheen, Emam Ashour, Marwan Ateya; Mostafa Zico e Mohamed Salah. Selecionador: (equipa técnica do Egito).
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