Os "Diabos Vermelhos" impuseram-se por 4-1 em Seattle, num jogo marcado por um autêntico recital de Charles De Ketelaere, e vão agora defrontar a Espanha nos quartos de final. A eliminação fecha um capítulo amargo para os Estados Unidos, que assim se junta ao México e ao Canadá na lista dos anfitriões afastados ainda nos oitavos de final.
A Bélgica confirmou esta segunda-feira, em Seattle, a sua entrada em grande plano nesta fase decisiva do Mundial 2026, ao aplicar uma goleada por 4-1 aos Estados Unidos e a carimbar assim o apuramento para os quartos de final, onde vai encontrar a Espanha, na sexta-feira, em Los Angeles. Depois de uma fase de grupos irregular, em que chegou a esteve perto da eliminação, a seleção belga apresentou-se em Seattle com outra intensidade e resolveu o encontro ainda antes do intervalo.
O protagonista da noite chamou-se Charles De Ketelaere. O avançado adiantou a Bélgica logo aos oito minutos e meio, naquela que foi, sem margem para dúvidas, a sua melhor exibição neste Mundial, e voltou a marcar pouco depois da hora de jogo, apenas dois minutos depois de Malik Tillman ter restabelecido a igualdade para os norte-americanos, a meia hora de encontro. Esse empate momentâneo foi a única réstia de esperança que os Estados Unidos conseguiram acender ao longo da partida.
Um jogo envolto em polémica
O encontro decorreu sob forte tensão extradesportiva, depois de a FIFA ter decidido, de forma inédita, suspender o castigo de expulsão que recaía sobre o avançado Folarin Balogun, permitindo-lhe assim ser titular frente à Bélgica. A decisão, tomada após pressão política junto do organismo que preside Gianni Infantino — presente na bancada de Seattle —, gerou fortes críticas por parte da seleção belga, que via nessa reabilitação uma vantagem indevida para o país anfitrião. No relvado, porém, o efeito foi precisamente o contrário do pretendido: Balogun teve uma exibição apagada e os Estados Unidos nunca conseguiram impor o seu jogo.
O selecionador argentino dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino, procurou desvalorizar o impacto do episódio na conferência de imprensa após o jogo, garantindo que a polémica não tinha afetado o grupo. Ainda assim, a equipa norte-americana esteve sempre a remar contra a maré: aos 61 minutos, um erro grosseiro do guarda-redes Matt Freese na saída de bola ofereceu a Hans Vanaken o terceiro golo belga, um lapso que praticamente sentenciou o resultado. Pouco depois, lesionou-se Christian Pulisic, agravando ainda mais a noite dos anfitriões. Já em tempo de compensação, Romelu Lukaku fechou a contagem, num golo que dedicou a Amadou Onana, lesionado no joelho direito ainda no início da segunda parte.
Anfitriões todos eliminados nos oitavos
A derrota deixa o Mundial 2026 sem qualquer uma das três seleções anfitriãs ainda em prova. O Canadá tinha caído horas antes, por 0-3, frente a Marrocos, e o México despediu-se por 2-3 diante de Inglaterra, num jogo mais equilibrado. Dos três países organizadores, foi precisamente a seleção mexicana que ofereceu maior resistência, obrigando os ingleses a decidir o resultado apenas nos instantes finais.
Para a Bélgica, o triunfo representa uma reviravolta notável na sua caminhada nesta fase final, depois de uma primeira fase marcada por hesitação e falta de eficácia ofensiva. Com este resultado, os "Diabos Vermelhos" garantem um encontro de quartos de final frente à Espanha, na sexta-feira, no SoFi Stadium de Los Angeles — um duelo que se perfila desde já como um dos pontos altos desta fase da competição.
Bélgica:Thibaut Courtois; Brandon Mechele, Maxim De Cuyper, Timothy Castagne, Nathan Ngoy; Youri Tielemans, Nicolas Raskin (Axel Witsel, 89'), Amadou Onana (Hans Vanaken, 21'); Leandro Trossard (Alexis Saelemaekers, 89'), Charles De Ketelaere (Romelu Lukaku, 67') e Dodi Lukebakio (Jeremy Doku, 67'). Selecionador: Rudi Garcia.
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