Num duelo todo-italiano para a história da Liga Europa, o Bologna FC foi a Roma, sofreu, reagiu com carácter extraordinário e eliminou a Giallorossi por 4–3 após prolongamento — avançando aos quartos-de-final com um agregado de 5–4 que ninguém esquecerá tão cedo.
| Min. | Marcador | Equipa | Assistência / Nota |
|---|---|---|---|
| — Tempo Regulamentar — | |||
| 22' | Jonathan Rowe | Bologna | Ataque rápido |
| 32' | Evan N'Dicka | AS Roma | Canto / ressalto |
| 45+2' | Federico Bernardeschi | Bologna | Grande penalidade |
| 58' | Santiago Castro | Bologna | — |
| 69' | Donyell Malen | AS Roma | Grande penalidade |
| 80' | Lorenzo Pellegrini | AS Roma | — |
| — Prolongamento — | |||
| 111' | Nicolò Cambiaghi | Bologna | Golo decisivo no prolongamento |
📊 O número que conta a história
- 🏆 O Bologna permanecia invicto em 10 jogos europeus consecutivos — o melhor registo da história do clube.
- ⚽ 7 golos em 120 minutos num duelo todo-italiano de Liga Europa — uma eliminatória extraordinária.
- 🔄 O Bologna chegou a estar a perder 1–3 no agregado e virou para 5–4 — uma remontada histórica.
- 🎯 Donyell Malen somou 6 golos na Liga Europa esta época — melhor marcador da Roma na competição.
- 📅 63.908 adeptos no Estádio Olímpico testemunharam uma das noites mais dramáticas da Liga Europa.
Haverá quem jure que o Estádio Olímpico nunca viveu uma noite assim — e que o futebol raramente é capaz de tanta crueldade e tanta beleza ao mesmo tempo. O Bologna FC chegou a Roma carregando uma desvantagem que parecia insuperável, voltou a estar em desvantagem no marcador durante quase todo o encontro, e ainda assim encontrou dentro de si a força para marcar quatro golos — o último aos 111 minutos do prolongamento — e eliminar a AS Roma num jogo que ficará gravado na memória de todos os que o viveram. Cinco golos de agregado para o Bologna, quatro para a Roma. Uma eliminatória que o desporto não podia ter inventado melhor.
A primeira mão, disputada uma semana antes em Bolonha, tinha terminado com o empate a um golo. Bernardeschi abriu o marcador aos 50 minutos com um remate de classe assinalável; Lorenzo Pellegrini, capitão da Roma, restabeleceu a igualdade aos 71 minutos numa das suas actuações mais sólidas da temporada. Nenhum dos dois clubes podia estar satisfeito — a eliminatória estava em aberto, o Olímpico prometia ser o palco da decisão, e nenhum treinador dormiu descansado durante a semana.
«Sabíamos que seria uma noite muito difícil. A Roma é uma equipa de grande experiência europeia. Mas acreditámos até ao fim. Este grupo tem algo de especial.»— Vincenzo Italiano, treinador do Bologna FC
O começo do segundo jogo foi um soco para a Roma: Jonathan Rowe, o veloz extremo galês que tem sido uma das revelações da temporada no Bologna, abriu o marcador logo aos 22 minutos com um remate fulminante após um contra-ataque vertiginoso. O agregado estava empatado a dois e a Romano tinha pela frente o espectro de sair eliminada em casa. Gasperini, treinador da Roma, tentou ajustar de imediato — Pellegrini aqueceu, El Shaarawy recuou — mas a equipa demorou a encontrar equilíbrio.
Aos 32 minutos, no entanto, num canto trabalhado que a Roma tantas vezes ensaiou esta temporada, Evan N'Dicka — o defesa franco-guineense que tem sido um dos melhores jogadores dos Giallorossi nos últimos dois anos — cabeceou com precisão para empatar. O Olímpico rugiu. O agregado passava a ser de 3–2 para a Roma, e a eliminatória parecia agora controlada pelos donos da casa.
O que ninguém esperava era o que aconteceu nos minutos finais da primeira parte. Uma disputa dentro da área levou o árbitro romeno Istvan Kovacs — que dirigiu toda a noite de forma segura e consistente — a assinalar grande penalidade para o Bologna. Bernardeschi, que já tinha marcado na primeira mão com um golo soberbo, não tremeu na marca dos onze metros e converteu com frieza absoluta. Ao intervalo, o agregado estava empatado a três, e a eliminatória tinha sido completamente invertida em relação ao que mostrava há apenas vinte minutos.
A segunda parte começou com a Roma a empurrar desesperadamente. Gasperini lançou Lorenzo Pellegrini logo de início, substituindo El Shaarawy, e a pressão começou a fazer-se sentir. Foi nesse contexto que Santiago Castro, o pujante avançado argentino do Bologna, perpetrou o golo mais devastador da noite: recebeu a bola de costas, rodou com elegância e rematou colocado para o fundo das redes de Mile Svilar aos 58 minutos. O agregado pendeu subitamente para 5–3 a favor do Bologna — e o Olímpico ficou em silêncio perturbador.
A Roma respondeu com o coração. Donyell Malen — o avançado holandês que chegou de Aston Villa em Janeiro e se tornou rapidamente no jogador mais decisivo dos Giallorossi — foi derrubado dentro da área e converteu o penálti resultante aos 69 minutos com a serenidade de quem carrega esta equipa às costas. 3–3 no agregado, Bologna ainda na frente por 5–4 na soma dos golos. Tudo dependia de um único golo.
«Nunca parámos de acreditar. Sofremos, mas cada vez que a Roma marcava, respondemos. É isso que este grupo é capaz de fazer — não desistir jamais.»— Remo Freuler, médio do Bologna FC
O golo que igualaria o agregado chegou aos 80 minutos. Lorenzo Pellegrini, com a habilidade e o talento que o tornaram capitão desta Roma, rematou com precisão para fazer 3–3 no marcador da noite e igualar o cômputo global a 4–4. O Olímpico explodiu em euforia: 63.908 almas em delírio absoluto. A eliminatória estava novamente empatada, e o prolongamento tornava-se inevitável.
Os 30 minutos extra foram um teste de resistência física e mental para ambas as equipas. A Roma, com mais posse de bola durante toda a noite (60,7% contra 39,3%), pareceu a equipa mais esgotada no início do prolongamento, ao passo que o Bologna — mais compacto, mais directo, mais fresco nos apoios físicos — continuou a tentar explorar os espaços com transições rápidas. Gasperini lançou as suas últimas cartas: Devyne Rensch entrou na lateral, Robinio Vaz foi chamado ao ataque. Mas o ritmo estava a favorecer os visitantes.
Aos 111 minutos, numa jogada que resumiu toda a noite, o Bologna construiu o golo que decidiu a história. Riccardo Orsolini, que tinha sido um dos mais perigosos na segunda parte com um remate que quase entrou, serviu Nicolò Cambiaghi — o extremo que entrou como suplente no segundo tempo — com um passe milimétrico. Cambiaghi controlou, isolou-se de Mancini e rematou com a segurança de quem sabia que estava a marcar um dos golos mais importantes da história recente do seu clube. 4–3 no marcador. 5–4 no agregado. O Bologna estava nos quartos-de-final da Liga Europa.
Os últimos minutos foram de agonia pura para a Roma. Mancini e Wesley tentaram tudo, mas a defesa do Bologna — liderada por um formidável Jhon Lucumí — resistiu até ao apito final de Kovacs. Quando o árbitro encerrou o encontro, os jogadores do Bologna abraçaram-se no centro do campo do Estádio Olímpico numa cena de pura catarse. Do outro lado, Gasperini, Pellegrini e Malen ficaram imóveis, incapazes de processar uma eliminação que ninguém no balneário julgava possível depois dos 80 minutos.
Para o Bologna de Vincenzo Italiano, esta vitória representa a continuação de um percurso europeu histórico — a equipa de Emília-Romanha permanece invicta em dez jogos consecutivos na Liga Europa, o melhor registo de sempre do clube, ultrapassando uma marca que datava dos anos 60. Nos quartos-de-final, aguarda o vencedor do confronto entre a Aston Villa e o Lille, uma eliminatória que os ingleses venceram graças a uma defesa providencial de Emiliano Martínez. Para a Roma, resta digerir uma noite que prometia glória e entregou tragédia — numa temporada em que os Giallorossi continuam a lutar pela qualificação para a Champions League na Serie A, e que agora perdem o único palco europeu onde ainda competiam. Gasperini terá um trabalho ingrato de reconstrução emocional nos próximos dias.
🟥🟨 Disciplina
- Vários jogadores de ambas as equipas — acumulação de cartões amarelos ao longo do prolongamento
- Árbitro: Istvan Kovacs (Roménia) — dirigiu o encontro com firmeza e sem grandes polémicas
Ficha Técnica
- Competição:Liga Europa UEFA 2025/26 — Oitavos de Final (2.ª Mão)
- Data:19 de Março de 2026
- Local:Estádio Olímpico, Roma, Itália
- Resultado:AS Roma 3–4 Bologna FC (após prolongamento)
- Agregado:4–5 (Bologna qualificado)
- Árbitro:Istvan Kovacs (Roménia)
- Espectadores:63.908
- Próxima fase:Aston Villa ou Lille (Quartos-de-Final)
XI Inicial — AS Roma (3-4-2-1)
- GR:Mile Svilar
- Defesa:Gianluca Mancini, Evan N'Dicka, Mario Hermoso
- Médio:Kouadio Koné, Bryan Cristante, Zeki Çelik, França
- Meia:Niccolò Pisilli, Stephan El Shaarawy
- Avançado:Donyell Malen
- Treinador:Gian Piero Gasperini
XI Inicial — Bologna FC (4-3-3)
- GR:Federico Ravaglia
- Defesa:Nadir Zortea, Jhon Lucumí, Martin Vitík, Charalambos Lykogiannis
- Médio:Lewis Ferguson, Remo Freuler, Tommaso Pobega
- Ataque:Jonathan Rowe, Santiago Castro, Federico Bernardeschi
- Treinador:Vincenzo Italiano
Ausências de Relevo
- AS Roma:Paulo Dybala (joelho), Evan Ferguson (lesão), Zeki Çelik (saiu lesionado ao intervalo)
- Bologna:Łukasz Skorupski (dúvida — lesão no tendão — substituído por Ravaglia), Juan Miranda (suspensão UEFA)
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