O conjunto alemão completou uma eliminatória de autoridade — 6–1 no cômputo geral — e garante um lugar histórico nas meias-finais da UEFA Europa League. Yuito Suzuki foi a grande figura da noite, com um bis que selou o destino dos galegos.

 

O Estadio Abanca Balaídos recebeu esta quinta-feira uma noite de Europa, mas o guião acabou por ser escrito pelas mãos germânicas do SC Freiburg. Com uma desvantagem insuperável de três golos trazida do primeiro encontro, o Celta Vigo precisava de uma recuperação épica. Em vez disso, assistiu à confirmação de um Freiburg sólido, disciplinado e profundamente clínico, que venceu por 3–1 e concluiu a eliminatória com um esmagador agregado de 6–1.

O técnico espanhol Claudio Giráldez apostou em quatro alterações no onze inicial — Fer López, Vecino, Javi Rueda e Lago substituíram Swedberg, Carreira, Sotelo e Aidoo — numa tentativa de injectar nova energia e coragem ofensiva. Do outro lado, Julian Schuster manteve o mesmo bloco do encontro da primeira mão, com apenas seis mudanças em relação ao triunfo da semana anterior no campeonato frente ao Mainz. A mensagem era clara: nada de surpresas, apenas confirmação.

A Decisão, Antes do Intervalo

Os primeiros minutos pertenceram à vontade anfitriã. O Celta pressionou alto, tentou empurrar o Freiburg para o seu próprio meio-campo e os adeptos de Vigo, conscientes da missão quase impossível, acreditaram. Mas a frieza alemã não tardou a responder com aquilo que tem feito ao longo de toda a campanha: eficácia cirúrgica.

Ao minuto 33, após assistência de cabeça de Makengo em profundidade, Igor Matanovic rematou de primeira, de fora da área, colocando a bola no canto inferior esquerdo. O golo foi inicialmente anulado por fora de jogo, mas a revisão do VAR confirmou a sua validade, e o Freiburg explodiu de alegria. Com 4–0 no agregado, a eliminatória estava, na prática, morta.

 

Análise táctica — 2.ª Mão, Quartos-de-Final UEL

Seis minutos depois, Yuito Suzuki sentenciou o duelo de forma definitiva. Numa jogada de toque a toque com Jarne Beste, o avançado japonês empurrou a bola para o fundo das redes de curta distância (39'). Com 5–0 no agregado ao intervalo, o público de Vigo sabia que não havia regresso possível.

Suzuki, o Herói Nipónico

A segunda parte trouxe a confirmação do homem da noite. Logo ao minuto 50, após um remate de Manzambi travado na linha de golo, Suzuki completou o seu bis, aproveitando o ressalto para fazer o 3–0. O internacional japonês terminou o encontro como figura incontestável, confirmando uma época europeia extraordinária ao serviço do clube de Brisgóvia.

O Freiburg deixou então de pressionar com a mesma intensidade, o que permitiu ao Celta algum fôlego. Fer López reduziu ao minuto 66, premiando o esforço de um conjunto que nunca abandonou a batalha. O guardião Noah Atubolu negou ainda o golo a El-Abdellaoui por duas vezes (66' e 69'), e o poste travou Jutglà (83'). Nos descontos, com a última jogada do encontro, Williot Swedberg marcou o golo da dignidade (90'+1), perante uma bancada que acompanhou o Celta até ao fim com extraordinária lealdade.

⏱ Principais Acontecimentos
33'
GOLO — Igor Matanovic FRE — Remate de primeira de fora da área, confirmado pelo VAR. Assistência de Makengo. (0–1)
39'
GOLO — Yuito Suzuki FRE — Combinação com Beste, remate de curta distância. (0–2)
45+1'
Cartão Amarelo — Moriba CEL
48'
Cartão Amarelo — Iago Aspas CEL
50'
GOLO — Yuito Suzuki FRE — Bis do japonês após ressalto na linha de golo. Assistência de Grifo. (0–3)
57'
Cartão Amarelo — Ginter FRE
66'
GOLO — Fer López CEL — Reduz para os galegos. (1–3)
90+1'
GOLO — Williot Swedberg CEL — Golo de honra na última jogada. Assist. Álvarez. (1–3 Final)
 
 

Freiburg: A Grande Surpresa da Europa

Oque o SC Freiburg está a construir nesta edição da Europa League é verdadeiramente extraordinário. Um clube de média dimensão da Bundesliga, sem o orçamento dos gigantes do continente, a caminhar para as meias-finais com um agregado de 6–1 nos quartos-de-final. A coerência táctica de Julian Schuster, a qualidade individual de jogadores como Suzuki, Beste e Matanovic, e uma organização defensiva impermeável fizeram desta equipa uma das histórias mais apaixonantes da temporada europeia.

Para o Celta Vigo, a despedida da competição é amarga na forma, mas digna no espírito. Os galegos mostraram coração e nunca desistiram perante o seu público, mas depararam-se com um adversário muito superior nesta fase da prova. A eliminatória ficará na memória como um encontro desequilibrado, mas o futebol espanhol pode olhar com orgulho para a exibição de carácter dos homens de Claudio Giráldez.

 
 
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