Depois de 120 minutos de pura tensão no Epet Arena de Praga, foi Matěj Kovář a esticar o braço direito e a defender o penálti de Dreyer que mandou a Dinamarca para casa. A República Checa regressa ao Campeonato do Mundo pela primeira vez desde 2006, após uma noite de agonia, ressurreição e glória nos onze metros.
Oguarda-redes mergulhou para a direita. A bola foi por ali também, mas a mão de Matěj Kovář estava lá primeiro. Anders Dreyer ficou de joelhos no relvado do Epet Arena, e Praga explodiu numa euforia que há muito não se via na capital checa. A República Checa está no Mundial 2026 — pela primeira vez em 20 anos, pela segunda vez como nação independente — após uma das noites mais longas e tortuosas que a história da repescagem europeia alguma vez conheceu.
O resultado final diz 2-2, com a República Checa a vencer nos penáltis por 3-1. Mas os números não contam nem metade da história de uma partida que passou por quatro golos marcados em momentos cirúrgicos, um prolongamento de alta tensão, e uma série de grandes penáltis que farão história nos dois países. Os dinamarqueses foram superiores em muitos momentos, mas a frieza checa — e a mão milagrosa de Kovář — acabou por ser mais decisiva do que o talento de Hójlund, Eriksen e Damsgaard.
Kovář mergulhou para a direita. A bola foi por ali também. Mas a mão do guarda-redes estava lá primeiro — e Praga explodiu.
O Golo Mais Rápido do Torneio
Mal o apito do árbitro soou para o início da partida, a República Checa deixou o mundo do futebol de boca aberta. Logo aos 3 minutos, num canto cobrado pela esquerda que a defesa dinamarquesa afastou parcialmente, a bola sobrou na risca da grande área para Pavel Šulc. O médio do Brighton não hesitou: rematou de primeira com o pé direito, e a bola incrustou-se no ângulo superior direito de Hermansen sem hipótese de defesa. Um golo espectacular, de encher o olho, que acordou de golpe o Epet Arena e deixou a Dinamarca em estado de choque.
Os dinamarqueses reagiram com a qualidade que os caracteriza. Hójlund — artilheiro das eliminatórias com seis golos e em excelente forma no Nápoles na Serie A italiana — tentou fazer diferença pela direita, enquanto Damsgaard e Isaksen criavam situações de perigo pelos flancos. A defesa checa, com Hranáč e Krejčí a formarem um bloco compacto, resistiu com determinação. Ao intervalo, os checos lideravam por 1-0, numa vitória do pragmatismo sobre o talento.
Andersen Empata, Prolongamento e Mais Drama
A segunda parte pertenceu à Dinamarca. Brian Riemer fez ajustes tácticos no intervalo, e a equipa nórdica ganhou outra dimensão com a entrada de Eriksen, que passou a ditar o ritmo do jogo com a sua visão e classe inimitáveis. Aos 72 minutos chegou o empate inevitável: Damsgaard cobrou uma falta perfeita para a área, e Joachim Andersen surgiu a cabecear com força para o fundo das redes, aproveitando uma saída de Kovář menos feliz do que o habitual. 1-1 e 30 minutos de prolongamento à vista.
O prolongamento foi de ensandecer. Aos 100 minutos, num bate-rebate na pequena área dinamarquesa após um escanteio, Ladislav Krejčí rematou de primeira com a perna esquerda para o fundo das redes. O capitão checo — herói também na vitória sobre a Irlanda — voltava a ser decisivo num momento de máxima tensão. Mas a Dinamarca não desistiu. Aos 111 minutos, com o jogo quase a terminar, o recém-entrado Kasper Høgh — num estreia inesquecível pela selecção, o seu primeiro golo de sempre pela Dinamarca — cabeceou de forma poderosa para o ângulo superior após cruzamento de Dreyer num canto. 2-2. Penáltis.
Kovář, o Guardião que Reescreveu a História
Hójlund foi o primeiro a bater para a Dinamarca. O avançado do Nápoles — o mais cobiçado da formação dinamarquesa — rematou com força, mas a bola ricocheteou na trave e voltou ao relvado. Um augúrio terrível para os escandinavos. Do lado checo, Chory e Souček converteram sem tremuras. Eriksen manteve a Dinamarca viva com uma cobrança impecável. Mas Kovář travou o penálti de Dreyer, e Jensen — que precisava de marcar para igualar — mandou a bola para fora. Sadílek rematou para o fundo da baliza e Praga entrou em delírio. 20 anos de espera desapareceram numa fracção de segundo.
Para a Dinamarca, a derrota é amarga e injusta em partes iguais. Foram superiores na posse de bola e criaram as ocasiões mais claras ao longo dos 90 minutos regulamentares. Mas o futebol não premia sempre quem joga melhor. Premia quem erra menos — e nesta noite, quem errou nos penáltis. Hójlund, Dreyer e Jensen saíram do relvado do Epet Arena com a cabeça baixa, mas com a certeza de que a derrota não foi por falta de empenho.
| Selecção | Classificação | |
|---|---|---|
| 🇲🇽 | México | Anfitriã (CONCACAF) |
| 🇿🇦 | África do Sul | Eliminatórias CAF |
| 🇰🇷 | Coreia do Sul | Eliminatórias AFC |
| 🇨🇿 | República Checa | Repescagem Europa |
O Grupo A espera pelos checos com desafios de enorme dimensão: o México anfitrião, a Coreia do Sul de Son e a África do Sul com o apoio de uma nação inteira. A estreia está marcada para 11 de Junho, em Guadalajara, frente aos sul-coreanos. A República Checa regressa ao Mundo com uma geração que tem em Kovář, Souček, Šulc e Krejčí as suas principais referências — e com uma noite de Praga que nenhum checo alguma vez irá esquecer.
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