Oavançado do Arsenal — ex-Sporting — voltou a ser pesadelo para o guarda-redes do Benfica: um hat-trick soberbo em Valência que sentencia a Ucrânia e coloca a Suécia na final do Caminho B, onde aguarda a Polónia de Lewandowski.
Havia uma ironia quase cruel na composição desta partida. De um lado, Anatoliy Trubin — o jovem guarda-redes do Benfica que tão bem serviu os encarnados esta época — defendendo a baliza ucraniana com a consciência de que uma eliminação significava afastar a sua nação de uma Copa do Mundo num dos momentos mais dolorosos da sua história recente. Do outro, Viktor Gyökeres — o avançado que em dois anos ao serviço do Sporting marcou três golos ao próprio Trubin — prestes a repetir exactamente o mesmo número, desta feita com a camisola da Suécia. O futebol, quando escreve os seus libretos, não tem parcimónia.
A Ucrânia disputou este jogo em terreno neutro — o Estádio Ciutat de Valência, em Espanha — uma vez que o país não recebe partidas internacionais desde a invasão russa em Fevereiro de 2022. Sem o apoio das bancadas de Kiev, a selecção de Serhiy Rebrov jogou longe de casa, num contexto que vai muito além do desportivo.
Um Início Demolidor: Seis Minutos Bastaram
A Suécia entrou no jogo como se soubesse exactamente o que tinha de fazer. Sem hesitações, sem o nervosismo que marcou outras selecções nesta jornada de repescagem, os escandinavos instalaram-se no meio-campo adversário desde o apito inicial. Aos seis minutos — apenas seis —, Benjamin Nygren recebeu na esquerda, cruzou rasteiro para a área e Gyökeres empurrou para a baliza sem hipóteses para Trubin.
O golo cedo paradoxalmente complicou o plano sueco: a Ucrânia, forçada a reagir, assumiu maior posse de bola e tentou construir a partir de trás com Georgiy Sudakov a tentar ligar as linhas. A melhor oportunidade ucraniana do primeiro tempo surgiu curiosamente num desvio involuntário da própria defesa sueca a um cruzamento de Mykolenko — a bola passou muito perto da baliza de Nordfeldt, mas sem a direcção certa para representar perigo real. Por sua vez, Gudmundsson raspou na trave num remate cruzado que poderia ter aumentado ainda mais a vantagem antes do intervalo.
Uma exibição sublime de Viktor Gyökeres em Valência guiou a Suécia à vitória sobre a Ucrânia, com um hat-trick que deixou os ucranianos de fora do Mundial.
— UEFA, Resumo das meias-finais do play-off, 26 de Março de 2026
A Segunda Parte: Gyökeres Fecha o Caso
Se no primeiro tempo houve algum suspense sobre o desfecho, a segunda parte tratou de o dissipar rapidamente. Aos 51 minutos, numa jogada de grande eficácia colectiva, o guarda-redes Kristoffer Nordfeldt lançou longo após uma má abordagem de Zabarnyi. Gyökeres dominou dentro da área, cortou para o meio e rematou rasteiro ao canto, novamente sem qualquer hipótese para o guarda-redes do Benfica. O 2–0 era um veredicto severo mas justo.
Viktor Gyökeres — Arsenal FC
O avançado sueco de 26 anos, ex-Sporting CP, voltou a ser o pesadelo de Anatoliy Trubin — a quem já havia marcado três vezes durante a época em que os dois partilharam a liga portuguesa. Em Valência, repetiu o feito ao serviço da selecção: golo aos 6', aos 51' e penálti aos 71'. O melhor marcador do Arsenal em 2025/26 viveu, nas palavras da imprensa portuguesa, a sua 'versão rolo-compressor' mais avassaladora desde que deixou Alvalade.
O terceiro golo chegou aos 71 minutos e teve a assinatura inconfundível de um atacante que não perdoa. Gyökeres roubou a bola no meio-campo, avançou em velocidade em direcção à área e foi derrubado por Trubin numa saída precipitada do guarda-redes ucraniano. Penálti claro. O próprio avançado cobrou, rematou rasteiro para o canto direito — Trubin ainda tocou na bola, mas não o suficiente para a travar. Hat-trick concluído. 3–0. Jogo, set e partida.
Ponomarenko: A Única Nota Positiva Ucraniana
Aos 90 minutos, já com o resultado sentenciado, a Ucrânia teve pelo menos a consolação de ver um jovem talento estrear-se com um golo. Matvii Ponomarenko aproveitou um cruzamento vindo da esquerda após combinação entre Gutsulyak e Tsygankov e cabeceou para a baliza de Nordfeldt: 3–1. Era o mínimo que a honra ucraniana merecia numa noite difícil.
Sudakov — outro dos pilares do Benfica que esteve em campo — não conseguiu impor o seu jogo no meio-campo, sufocado pela organização defensiva sueca e pela intensidade que Gyökeres imprimiu ao jogo ofensivo adversário. Para Rebrov, a desilusão é grande: a Ucrânia tinha chegado a esta fase com a segunda melhor campanha do seu grupo nas eliminatórias, apenas atrás da França.
O ex-avançado do Sporting voltou a ser pesadelo para o guardião do Benfica, a quem havia marcado três vezes nos dois anos em que representou os verde e brancos — uma marca que igualou neste jogo ao serviço da selecção.
— A Bola, 26 de Março de 2026
Ligação Portuguesa ao Jogo
Não foram apenas Trubin e Sudakov do Benfica a marcar presença. Do lado sueco, Gustaf Lagerbielke — defesa-central do SC Braga — foi titular e cumpriu uma sólida exibição no centro da defesa escandinava. A arbitragem ficou a cargo do português João Pinheiro, assistido por Bruno Jesus e Luciano Maia, com Tiago Martins como VAR — uma equipa de arbitragem inteiramente nacional a dirigir um dos jogos mais importantes da noite europeia.
🇸🇪 Suécia
- 1 Nordfeldt
- 2 Johansson
- 5 Hien
- 6 Lagerbielke (SC Braga)
- 3 Svensson
- 8 Karlström
- 10 Forsberg
- 11 Larsson
- 7 Elanga
- 19 Bardghji
- 17 Gyökeres ⚽⚽⚽ 🌟
Seleccionador: Jon Dahl Tomasson
🇺🇦 Ucrânia
- 1 Trubin (SL Benfica)
- 2 Konoplia
- 44 Zabarnyi
- 5 Matvienko
- 3 Mykolenko
- 6 Kaliuzhnyi
- 10 Tsygankov
- 8 Yarmoliuk
- 14 Malinovskyi
- 11 Sudakov (SL Benfica)
- 9 Vanat
Seleccionador: Serhiy Rebrov
Polónia vs. Suécia — Final do Caminho B
31 de Março de 2026 · 15h45 (hora de Lisboa) · Local a definir · Jogo único
A Suécia enfrenta a Polónia de Robert Lewandowski (89 golos internacionais), que eliminou a Albânia por 2–1. O vencedor integrará o Grupo F da Copa do Mundo 2026, ao lado da Holanda, do Japão e da Tunísia.
Análise: Uma Máquina Chamada Gyökeres
Jon Dahl Tomasson construiu uma equipa equilibrada, com capacidade de transição rápida e com a inteligência colectiva de saber quando pressionar e quando recuar. Mas a grande diferença entre esta Suécia e a equipa que terminou na última posição do seu grupo de qualificação chama-se Viktor Gyökeres. O avançado do Arsenal, após uma campanha de qualificação sem golos, chegou ao momento decisivo e respondeu da forma mais contundente possível: com um hat-trick que deixou a Ucrânia sem respostas.
O próximo obstáculo é a Polónia — com Lewandowski a tentar chegar ao terceiro Mundial da carreira aos 37 anos — numa final única que se joga no mando polaco. A Suécia, que não vai a um Mundial desde 2018, onde chegou aos quartos-de-final, tem na forma avassaladora do seu centroavante o argumento mais poderoso para alimentar o sonho do regresso ao palco mais importante do futebol mundial.
Para a Ucrânia, fica a dor de uma eliminação que vai muito além do desportivo. Uma nação em guerra, que jogou longe de casa por razões que não escolheu, que viu alguns dos seus melhores jogadores brilhar nas maiores ligas europeias, mas que não conseguiu encontrar o caminho para o Mundial. O futebol, neste contexto, é apenas um reflexo do que um povo inteiro está a viver: a determinação de resistir, mesmo quando as circunstâncias tornam tudo mais difícil.
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