Num jogo que pareceu mil vezes perdido e recuperado, Viktor Gyökeres surgiu aos 88 minutos para selar uma das classificações mais dramáticas da fase de repescagem europeia. A Suécia regressa ao Mundial pela 13ª vez; a Polónia e Lewandowski ficam de fora.
AStrawberry Arena estava suspensa. Sessenta mil suecos de amarelo fecharam os olhos, vibraram, sofreram e voltaram a fechar os olhos. O marcador dizia 2-2, os relógios corriam sobre os 87 minutos e a Polónia já saboreava a perspectiva da prorrogação. Então, num bate-rebate caótico na área polaca, a bola sobrou nos pés de Viktor Gyökeres. O avançado do Arsenal não hesitou. Um remate seco, a bola a tocar no poste, a rede a abanar. A Suécia está no Mundial 2026.
A vitória por 3-2 foi tão sofrida quanto merecida para um colectivo sueco que, ao longo dos noventa minutos, nunca desistiu — mesmo quando a Polónia, com a qualidade inegável dos seus homens na frente, equilibrou o marcador por duas vezes. Esta foi a 13ª presença da Suécia numa fase final de um Campeonato do Mundo, repetindo a presença de 2018 na Rússia, onde os suecos chegaram aos quartos-de-final antes de cair ante a Inglaterra.
Abola tocou no poste, a rede abanou e Solna explodiu. Gyökeres salvou a Suécia no último suspiro de um jogo que pareceu ter dono a cada meia hora.
Crónica ao vivo — Strawberry Arena, SolnaElanga e Lagerbielke Constroem a Vantagem
O jogo começou sem grande intensidade, com as duas equipas a testarem-se mutuamente em passes seguros e sem risco. Mas aos 19 minutos, a Suécia acordou. Gyökeres recebeu na área com costas para a baliza, rolou magistralmente para Ayari e o médio ofereceu de calcanhar — num passe de letra que surpreendeu toda a defesa polaca — a Anthony Elanga, que finalizou com força para o canto esquerdo de Grabara. Um golo de uma beleza rara para abrir o marcador.
A resposta polaca foi imediata e intensa. Lewandowski movimentou-se para criar espaço, Szymański tentou servir pelas costas da defesa, e aos 32 minutos chegou o empate. Nicola Zalewski avançou pela esquerda com determinação, cortou para o meio e rematou com o pé direito — a bola ainda desviou em Lagerbielke antes de bater nas redes, o que tornava a jogada ainda mais ingrata para os suecos. Mas a equipa de Graham Potter respondeu com carácter. Já nos acréscimos do primeiro tempo, numa falta cobrada por Nygren, Gustaf Lagerbielke antecipou-se a toda a defesa polaca e atirou de cabeça para o fundo das redes. O intervalo chegou com a Suécia em vantagem por 2-1.
A Polónia Vira o Jogo — Lewandowski é um Fantasma Imponente
O segundo tempo foi de domínio polaco quase total. Lewandowski, apesar de raramente concluir no posto de ponta-de-lança, trabalhou incansavelmente para criar espaço aos seus companheiros. Aos 55 minutos, a pressão polaca produziu resultado: Świderski apareceu praticamente sozinho na pequena área e empurrou a bola para o fundo da baliza com uma facilidade desconcertante. Empate a dois e Solna em silêncio atordoado. A Polónia passou a controlar o jogo com maior confiança, criou oportunidades, e a prorrogação parecia inevitável.
A Suécia resistiu com unhas e dentes. Nordfeldt fez pelo menos duas intervenções decisivas nos minutos seguintes, e Lindelöf — autoridade máxima na defesa sueca — travou dois ataques poloneses que poderiam ter sido fatais. O treinador Graham Potter, visível de fato cinzento e expressão concentrada na linha lateral, foi mexendo nos seus com critério, procurando recuperar a iniciativa sem expor demasiado as costas da defesa.
Gyökeres, o Herói Inevitável
Viktor Gyökeres já tinha sido o grande nome da semifinal — um hat-trick sobre a Ucrânia por 3-1 em Valência que fizera o mundo do futebol virar-se para o norte da Europa. Aqui, durante longa parte do jogo, pareceu contido pela marcação apertada de Bednarek e Kiwior. Mas os grandes avançados encontram sempre o seu momento. Ao minuto 88, num bate-rebate desordenado na área polaca, a bola sobrou-lhe nos pés. Primeiro remate parado pelo guarda-redes Grabara, bola a bater no poste, rebote. E Gyökeres ali, implacável, para rematar e guardar para sempre o seu lugar na memória colectiva sueca.
A cena que se seguiu foi de pura catarse: os adeptos suecos explodiram em euforia, os jogadores correram a abraçar o avançado do Arsenal, e Graham Potter levantou os punhos com a contenção britânica de quem sabe que acaba de classificar a sua equipa para o maior torneio do mundo. Do lado polonês, Lewandowski ficou imóvel, olhando o relógio. A derrota é amarga para o capitão polaco, que aos 37 anos vê provavelmente escapar-lhe a última oportunidade de disputar um Campeonato do Mundo.
| Selecção | Classificação | |
|---|---|---|
| 🇳🇱 | Holanda | Eliminatórias UEFA |
| 🇸🇪 | Suécia | Repescagem Europa |
| 🇯🇵 | Japão | Eliminatórias AFC |
| 🇹🇳 | Tunísia | Eliminatórias CAF |
O Grupo F aguarda a Suécia com a dificuldade máxima: a Holanda de van Dijk e Gakpo, o Japão disciplinado e eficaz de Mitoma, e a Tunísia, sempre capaz de surpreender em fase final. Mas uma equipa que sobreviveu a esta noite em Solna — e que tem Gyökeres em plena forma de artilheiro — não pode ser subestimada por ninguém.
Quanto à Polónia, o ciclo está encerrado. Lewandowski, Zielinski, Kiwior e Zalewski sairão do relvado de Solna com a cabeça baixa, mas com a consciência de ter dado tudo num jogo que lhes escapou nos últimos instantes. O futebol é assim: ingrato e belo ao mesmo tempo. Esta noite pertence à Suécia — e, acima de tudo, a Viktor Gyökeres.
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