Com um doblete de Folarin Balogun e um recital de precisão defensiva de Chris Richards, a selecção dos EUA goleia o Paraguai 4–1 e lança a candidatura da nação anfitriã com autoridade.
Foi uma noite de sonho para a América. O Los Angeles Stadium — também conhecido como SoFi Stadium — encheu ao máximo a sua capacidade para receber o primeiro jogo de Copa do Mundo em solo norte-americano em mais de três décadas, e os Estados Unidos corresponderam à altura do palco com uma goleada expressiva: 4–1 sobre o Paraguai, num arranque que dificilmente poderia ter sido mais prometedor para a selecção anfitriã.
A festa começou logo nos primeiros instantes. Com apenas sete minutos decorridos, uma jogada de pressão alta do conjunto orientado por Mauricio Pochettino forçou o defesa paraguaio Damián Bobadilla a desviar a bola para a própria baliza, oferecendo o golo inaugural a um estádio que já fazia tremer o betão. O autogolo precipitou o que seria um espectáculo de marcação histórico.
Balogun, o herói improvável
Se havia alguém em dívida para com a selecção norte-americana, era Folarin Balogun. Natural de Nova Iorque, criado em Londres, com passaporte para a Nigéria: o avançado do Monaco tinha escolhas, mas optou pelos "Yanks" em 2023, e foi nesta noite que justificou, de forma categórica, essa decisão. O seu primeiro golo, aos 31 minutos, foi uma execução cirúrgica dentro da área. O segundo, dois minutos além do tempo regulamentar da primeira parte, fez dele o primeiro norte-americano a marcar dois golos num único jogo de Copa do Mundo desde a edição inaugural de 1930. "Um sonho real. Foi uma noite de sonho", disse Balogun ao microfone da FIFA, com a voz embargada.
A saída de Christian Pulisic ao intervalo — substituído por precaução após um pontapé sofrido — poderia ter apagado o brilho norte-americano. Mas entrou Sebastian Berhalter, filho do histórico seleccionador Gregg Berhalter, tornando-se o 24.º par pai-filho da história a participar numa Copa do Mundo, e o segundo representando os EUA. O simbolismo não passou despercebido a um estádio já em êxtase.
Richards, o silêncio do perfeccionismo
Enquanto os atacantes colhiam os aplausos, Chris Richards conduzia a defesa com uma elegância quase irreal. O central completou a totalidade dos 83 passes que tentou — uma taxa de 100% que estabelece um novo recorde histórico na Copa do Mundo para um defesa central. A sua recuperação de lesão tinha sido uma incógnita nas semanas anteriores ao torneio; a resposta que deu às dúvidas foi uma das mais eloquentes da noite.
O Paraguai ainda respirou no marcador quando Maurício reduziu para 3–1 aos 73 minutos com um remate preciso, alimentando brevemente uma esperança que os números nunca justificaram: os sul-americanos totalizaram apenas nove tentativas de golo, uma no alvo, perante as 16 dos anfitriões, com seis enquadradas. A posse de bola contou uma história semelhante: 59% para os EUA.
Reyna sela a conta, Los Angeles explode
Nas entranhas do tempo de compensação, Giovanni Reyna recebeu um passe de Riley Freeman na direita da área adversária e, sem hesitar, rematou com o exterior do pé direito para o ângulo. 4–1. Os quatro golos marcados representam um recorde absoluto para a selecção dos EUA numa única partida de Copa do Mundo. O estádio, lotado de estrelas do entretenimento e de adeptos que vieram de todo o país, transformou-se num coro único.
Com esta vitória, os EUA lideram o Grupo D com três pontos. O Paraguai fica com zero, numa posição delicada perante os próximos adversários. A selecção anfitriã mostrou, nesta primeira noite, que não está apenas a receber a Copa do Mundo — está a competir por ela.
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