Portugal não foi além de um empate frustrante diante da República Democrática do Congo. Yoane Wissa, de cabeça, fez história ao marcar o primeiro golo dos congoleses num Campeonato do Mundo.
ONRG Stadium de Houston recebeu, esta quarta-feira, aquele que foi um dos jogos mais surpreendentes da primeira jornada do Grupo K do Mundial 2026. Portugal, uma das grandes favoritas ao título, não foi além de um empate a um golo diante da República Democrática do Congo, equipa que regressou à fase final de um Campeonato do Mundo pela primeira vez desde 1974, quando ainda competia sob o nome Zaire.
A tarde era quente em Houston — mais de 38 graus à hora do pontapé de saída — e o ritmo do jogo refletiu esse peso. A selecção das Quinas entrou bem, com João Neves a abrir o marcador logo aos 8 minutos num remate cruzado de grande qualidade. Parecia o arranque que Portugal precisava para impor a sua superioridade. Sucedeu o contrário.
O Congo não se intimidou. A equipa de Sébastien Desabre respondeu com organização táctica e uma intensidade física que desestabilizou o meio-campo português. Aos 45+3 minutos, em tempo de compensação da primeira parte, Yoane Wissa subiu mais alto do que Rúben Dias e cabeceou para o fundo das redes de Diogo Costa. A explosão de alegria no banco e nas bancadas congolesas foi imediata — era o primeiro golo da história do Congo num Campeonato do Mundo.
O intervalo chegou com Portugal a tentar perceber o que correra mal. Roberto Martínez retirou Bernardo Silva ao intervalo — ironicamente o mesmo dia em que o antigo jogador do Manchester City assinou pelo Real Madrid em transferência a custo zero — e procurou refrescar o ataque. Mas o Congo manteve a sua disciplina defensiva na segunda metade, travando todas as tentativas lusas de recuperar a vantagem.
Cristiano Ronaldo, que iguala com este Mundial o recorde de seis participações em Campeonatos do Mundo, teve uma exibição discreta e longe do impacto que o seu grande rival Lionel Messi havia tido no dia anterior, com um hat-trick frente à Argélia. CR7 viu um golo de João Cancelo ser anulado por fora-de-jogo, e não conseguiu criar perigo suficiente para ser determinante. Os seus 41 anos pesaram numa tarde sufocante de calor texano.
Cédric Bakambu, veterano com 35 anos, protagonizou também um dos momentos de maior perigo para o Congo, ao desviar-se de Bruno Fernandes antes de atirar ao poste. Portugal reagiu nos minutos finais, com Gonçalo Ramos e Francisco Conceição a criarem oportunidades, mas a baliza de Lionel Mpasi permaneceu inviolável.
O resultado final de 1-1 deixa Portugal com apenas um ponto na liderança partilhada do Grupo K, empatado com a RD Congo. A selecção nacional tem agora pela frente a Colômbia e o Usbequistão nas próximas jornadas, e sabe que uma nova exibição desta qualidade pode colocar em risco a passagem aos oitavos-de-final. Para o Congo, este ponto histórico representa já um enorme feito para uma nação que regressou ao maior palco do futebol mundial após 52 anos de ausência.
Remate cruzado de qualidade após combinação pelo corredor esquerdo. Portugal na frente.
Cabeceamento em área, sem marcação. Primeiro golo na história do Congo num Mundial. Empate histórico.
Retirado ao intervalo por Roberto Martínez. Curiosamente, assinou pelo Real Madrid no mesmo dia.
Substituiu Vitinha numa tentativa de dar mais presença na área.
Veterano de 35 anos com boa exibição. Substituído por S. Banza.
Falta sobre Wissa. Jogo a ficar tenso nos minutos finais.
Falta dura. Dois amarelos portugueses em quatro minutos revelam a frustração acumulada.
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