No Stade Saputo em Montreal, o Canadá e a Irlanda dividiram as honras num empate a um golo que serviu de derradeiro ensaio geral antes da Copa do Mundo 2026. A noite ficou marcada pela exibição monumental do guarda-redes Maxime Crépeau, que evitou a derrota dos Les Rouges com dois momentos de classe superior.
A selecção canadiana entrou bem no encontro, aproveitando a superioridade em termos de posse de bola para pressionar os irlandeses nos primeiros minutos. O golo não tardou a surgir: aos 24 minutos, um canto cobrado por Stephen Eustáquio encontrou a defesa irlandesa mal posicionada, e o central Jake O'Brien, ao tentar desviar a bola, acabou por empurrar para a própria baliza. Foi um autogolo azarado para o defesa do Boys in Green.
O Canadá dominou a primeira parte com autoridade, controlando o ritmo e a posse. Jonathan David e Liam Millar foram os elementos mais inconformados no ataque dos anfitriões, criando situações de perigo com frequência. A Irlanda, sem Alphonso Davies — o grande ausente da convocatória canadiana — nunca conseguiu roubar a iniciativa aos donos da casa.
O intervalo chegou com o Canadá em vantagem e o público do Stade Saputo em festa, antecipando uma vitória que serviria de impulso moral perfeito para a estreia no Mundial, marcada para 12 de Junho frente à Bósnia-Herzegovina em Toronto.
A Irlanda regressou do intervalo com outra postura. Chiedozie Ogbene, pela faixa direita, começou a criar problemas à defesa canadiana. Aos 60 minutos, Cyle Larin cometeu uma falta dentro da área — bota levantada — e o árbitro assinalou grande penalidade. Troy Parrott avançou para a execução, mas Crépeau atirou-se ao lado certo e defendeu com uma intervenção notável. Infelizmente para o guarda-redes do Orlando City, Ogbene estava atento ao ressalto e não perdoou, restabelecendo a igualdade: 1–1.
Mason Melia ficou sozinho frente a Crépeau após uma transição rápida irlandesa. O guardião canadiano saiu dos postes com timing perfeito e negou o que parecia ser um golo certo, salvando um ponto precioso para os Les Rouges na última exibição em casa antes do Mundial.
O resultado final de 1–1 foi justo perante o que se viu em campo. O Canadá dominou, mas a Irlanda soube aproveitar as oportunidades que teve. Se há um resultado que não satisfez os quase 20 mil adeptos presentes no Stade Saputo, o mesmo não pode ser dito da exibição de Maxime Crépeau, que confirmou precisamente nesta noite o seu estatuto de titular indiscutível na baliza canadiana para o Mundial.
Para o Canadá, o empate não é o resultado desejado, mas a exibição coletiva foi tranquilizadora. A selecção orientada por Jesse Marsch mostrou solidez defensiva e criatividade no meio-campo, com Stephen Eustáquio e Ismaël Koné a distinguirem-se pela qualidade na distribuição de bola. A ausência de Alphonso Davies, a grande estrela do Canadá, continua a ser uma preocupação real para os próximos jogos.
Do lado irlandês, o empate em Montreal representa um resultado positivo para uma equipa que não se qualificou para a fase final do Mundial. O técnico viu Chiedozie Ogbene confirmar a sua utilidade como elemento de recurso e criador de problemas, enquanto Troy Parrott ficou com a tarefa incompleta ao falhar o penálti que poderia ter dado a vitória aos Boys in Green.
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