O Real Betis anulou a desvantagem de um golo da primeira mão e eliminou o Panathinaikos de Rafael Benítez com uma goleada por 4–0 na Cartuja, alcançando os quartos-de-final da Liga Europa de forma categórica e impressionante.

 
Liga Europa UEFA · Oitavos de Final · 2.ª Mão
Real Betis 4 – 0 Panathinaikos
 
Resultado Final
 
Agg: 4–1 · Betis Qualificado
 
 
Min. Marcador Equipa Assistência
8' Aitor Ruibal Real Betis Ressalto após remate de Cucho Hernández
?' Juan Camilo «Cucho» Hernández Real Betis
?' Antony Real Betis
~45'+ Sofyan Amrabat Real Betis Remate improvável da área própria

🟥🟨 Disciplina

  •  Vicente Taborda (Panathinaikos) — Amarelo, 19'
  •  Anass Zaroury (Real Betis) — 2.º Amarelo / Vermelho, 1.ª mão
  •  Diego Llorente (Real Betis) — Vermelho / Grande Penalidade concedida, 1.ª mão

Sevilha transformou-se esta quinta-feira à noite num palco de ressurreição verde e branca. O Real Betis, que chegava à Cartuja com a pesada desvantagem de um golo sofrido na primeira mão em Atenas, respondeu com uma das exibições europeias mais completas da sua história recente, goleando o Panathinaikos por 4–0 e garantindo um lugar nos quartos-de-final da Liga Europa com uma autoridade que silenciou todas as dúvidas.

O contexto era adverso para os andaluzes de Manuel Pellegrini. Na semana anterior, em Atenas, o Panathinaikos — treinado pelo veterano Rafael Benítez — tinha conquistado uma vitória por 1–0 graças a um penálti tardio convertido por Vicente Taborda no minuto 88, na sequência de uma expulsão polémica de Diego Llorente. O ambiente no Estadio de la Cartuja, emprestado pela selecção espanhola enquanto o Benito Villamarín passa por obras de renovação, prometia pressão máxima sobre um Betis que acumulava já cinco jogos sem vencer em todas as competições.

«Esta equipa sabe sofrer e sabe lutar. Hoje mostrámos ao mundo inteiro o que é o Real Betis quando acredita em si próprio.»— Manuel Pellegrini, treinador do Real Betis
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O início foi um furacão verdiblanco. Ao terceiro minuto, Ez Abde já tinha isolado Juan Camilo «Cucho» Hernández com um passe rasante — o colombiano cabeceou mas errou o alvo. A promessa estava lançada. Cinco minutos depois, ao oitavo minuto, chegou o golo que valeu o empate no agregado e acendeu definitivamente a Cartuja: Cucho Hernández rematou com potência, a bola ressaltou no poste e Aitor Ruibal, incansável no flanco direito durante toda a época, estava no sítio certo para empurrar para a baliza de Alban Lafont. O guardião francês, emprestado pelo Nantes, não tinha qualquer hipótese de reacção.

Pellegrini tinha seleccionado uma equipa ofensiva, confiando em Pablo Fornals para distribuir jogo no centro e em Antony — o ex-avançado do Manchester United, em renasce pleno nesta temporada em Sevilha — para criar desequilíbrios pela esquerda. O Panathinaikos, que chegou a Espanha esperando anular as investidas do adversário com um bloco compacto assente numa estrutura defensiva de três centrais, viu os seus planos ser sistematicamente desmontados pela mobilidade e velocidade dos atacantes béticos.

O segundo golo, assinado por Cucho Hernández, foi o que selou definitivamente a reviravolta no cômputo global. O internacional colombiano, cedido pelo Columbus Crew, tem sido uma das revelações desta campanha europeia de Betis, e correspondeu mais uma vez com uma finalização de alta qualidade dentro da área grega. O Panathinaikos, que cometera o erro de não criar volume ofensivo suficiente para ameaçar Rui Silva — o guardião português dos andaluzes — pagou caro pela passividade.

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O golo mais improvável da noite coube a Sofyan Amrabat. O médio marroquino, titular em detrimento de Marc Roca, decidiu tentar a sorte com um remate de fora de área — praticamente desde a linha do meio-campo — e a bola sofreu um ressalto bizarro no relvado antes de entrar pela baliza de Lafont. Foi o terceiro golo antes do intervalo, transformando uma primeira parte que já tinha sido dominante numa actuação de antologia para os arquivos do clube.

«Não esperávamos este início. Perdemos a organização muito cedo e o Betis foi implacável. Parabéns a eles — foram superiores esta noite.»— Rafael Benítez, treinador do Panathinaikos

Na segunda parte, Manuel Pellegrini rodou o plantel sem alterar o ritmo ou a intensidade. Antony, que ao longo da época tem frequentemente mostrado a sua qualidade técnica individual na Liga Europa, fechou a contagem com um golo que coroou uma exibição pessoal de luxo. O ex-Ajax e ex-United, que nunca conseguiu impor-se em Inglaterra, parece ter encontrado no calor de Sevilha o ambiente propício para voltar a ser o jogador que encantou a Europa pela última vez com a camisola do Ajax.

O Panathinaikos, que havia chegado aos oitavos-de-final de forma heroica — eliminando o Viktoria Plzeň após dois empates e uma série de penáltis ganha por 4–3 —, despede-se da Liga Europa sem conseguir replicar a solidez defensiva mostrada em Atenas. A equipa de Benítez terminou o jogo com várias faltas e cartões, sinal da frustração crescente de uma equipa que viu o seu sonho europeu ser varrido em 90 minutos de futebol português, espanhol e marroquino de enorme qualidade.

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O Real Betis aguarda agora o adversário dos quartos-de-final, uma fase da competição que os verdes-e-brancos de Sevilha não alcançavam há vários anos. Para Pellegrini, o arquitecto deste triunfo europeu, é mais uma prova de que o clube tem plantão e carácter suficientes para competir nas fases mais avançadas da Liga Europa — onde apenas os melhores sobrevivem. A Cartuja rugiu de orgulho e Sevilha voltou a ter um sonho europeu a que se agarrar.

Ficha Técnica

  • Competição:Liga Europa UEFA 2025/26 — Oitavos de Final (2.ª Mão)
  • Data:19 de Março de 2026
  • Local:Estadio de la Cartuja, Sevilha, Espanha
  • Resultado:Real Betis 4–0 Panathinaikos
  • Agregado:4–1 (Real Betis qualificado)
  • Árbitro:Tobias Stieler (Alemanha)
  • Espectadores:~70.000 (capacidade total da Cartuja)
  • Próxima fase:A definir — Quartos-de-Final

XI Inicial — Real Betis (4-2-3-1)

  • GR:Rui Silva
  • Defesa:Hèctor Bellerín, Germán Pezzella, Natan, Abner Miranda
  • Médio:Sofyan Amrabat, Giovani Lo Celso
  • Ataque:Antony, Pablo Fornals, Ez Abde (Ezzalzouli)
  • Avançado:Juan Camilo «Cucho» Hernández
  • Treinador:Manuel Pellegrini

XI Inicial — Panathinaikos (4-2-3-1)

  • GR:Alban Lafont
  • Defesa:Christos Katris, Sverrir Ingason, Touba, Mładenović
  • Médio:Renato Sanches, Adam Gnezda Čerin
  • Ataque:Facundo Pellistri, Vicente Taborda, Georgios Kyriakopoulos
  • Avançado:Andrews Tetteh
  • Treinador:Rafael Benítez