Num jogo que já entra para a história desta prova, o Bayern de Munique impôs-se por 4–3 ao Real Madrid numa segunda mão de cortar a respiração, eliminando os merengues com um agregado de 6–4 e garantindo passagem às meias-finais.

 

Há jogos que definem gerações. A segunda mão das quartas-de-final da Liga dos Campeões entre Bayern de Munique e Real Madrid, disputada na Allianz Arena na noite de quarta-feira, foi um desses. Sete golos, cinco cartões amarelos, dois cartões amarelo-vermelho ao Real Madrid e uma inversão de marcador que tornou o jogo num espetáculo puro de futebol europeu. No final, o Bayern impôs-se por 4–3 e eliminou os merengues com um agregado de 6–4.

O Real Madrid chegou a Munique em missão aparentemente impossível, já a perder por 1–2 da primeira mão disputada no Santiago Bernabéu. Mas logo ao primeiro minuto de jogo, os brancos causaram uma sensação inacreditável: num ataque imediato, o conjunto de Carlo Ancelotti abriu o marcador logo no início, colocando o agregado empatado a dois e reacendendo toda a esperança do conjunto espanhol.

OReal Madrid marcou ao primeiro minuto — e durante uns instantes, pareceu que a magia branca iria reescrever mais uma vez a história desta competição.

Uma Primeira Metade de Cinema: Cinco Golos em 42 Minutos

O Bayern reagiu com a frieza de quem sabe o que está em causa. Ao minuto 6, Harry Kane — numa noite em que o avançado inglês esteve em evidência absoluta — igualou o marcador e devolveu a vantagem no agregado aos bávaros. A Allianz Arena respirou de alívio, mas o espetáculo estava apenas a começar.

O Real Madrid voltou a surpreender ao minuto 29, aproveitando um momento de desatenção defensiva do Bayern para marcar pela segunda vez na noite. Kylian Mbappé e Vinícius Júnior foram incessantemente perigosos pelo corredor esquerdo, explorando os espaços deixados por Konrad Laimer nas transições. Com o marcador em 1–2, o agregado voltou a estar empatado a três.

O Bayern, contudo, não baixou os braços. Antes do intervalo, a equipa de Vincent Kompany voltou a equilibrar o marcador, ao minuto 38, tornando a primeira metade num futebol de alta velocidade que raramente se vê nos jogos de eliminatórias. Mas ainda haveria mais: ao minuto 42, num lance de insanidade coletiva, o Real Madrid marcou pela terceira vez na noite e foi para o intervalo a vencer por 2–3. Com o agregado empatado a 4–4, tudo estava por decidir.

O intervalo chegou com cinco golos, um agregado de 4–4 e a questão no ar: qual das duas maiores equipas da história da Champions League teria capacidade para fechar este épico no segundo tempo?

Caos, Disciplina e os Golos que Passaram à História

A segunda metade foi mais contida em termos de golos, mas nunca em drama. O Real Madrid, que havia entrado no jogo com grande agressividade, começou a pagar a fatura disciplinar. Os cartões amarelos acumularam-se — cinco ao todo para os merengues —, sendo que dois jogadores receberam cartão amarelo-vermelho, reduzindo a equipa visitante a nove homens em diferentes momentos do encontro.

Com o Real Madrid enfraquecido numericamente, o Bayern aproveitou a superioridade para exercer pressão constante. A posse de bola foi dominada pelos bávaros com 67% — uma estatística que ilustra o controlo que o conjunto de Munique foi ganhando à medida que a partida avançava. Michael Olise e Serge Gnabry criaram situações repetidas de perigo, e o guarda-redes Andriy Lunin foi obrigado a realizar quatro defesas difíceis.

Com nove homens em campo e o marcador empatado no agregado, o Real Madrid ainda resistiu durante dez minutos. Mas a Allianz Arena estava condenada a explodir.

O golo decisivo chegou ao minuto 89, quando o Bayern empatou no marcador do jogo para 3–3. A Allianz Arena entrou em delírio — mas o epilogo desta noite reservava ainda mais emoção. No último lance do tempo regulamentar, ao minuto 90, o Bayern marcou o 4–3 definitivo, consumando a eliminação de um Real Madrid que havia dado tudo mas que não foi suficiente para resistir à intensidade bávara.

A Primeira Mão no Bernabéu — O Cenário que Moldou a Eliminatória

Para compreender a grandeza desta eliminatória, é necessário recuar à primeira mão, disputada no Santiago Bernabéu a 7 de abril. Nessa noite, o Bayern impôs-se por 1–2 num jogo em que o Real Madrid dominou a posse (48%) e criou mais situações de golo — 10 remates enquadrados contra apenas 4 do Bayern —, mas foi incapaz de concretizar essa superioridade.

O Bayern marcou ao minuto 41 e, de forma devastadora, voltou a marcar no minuto imediatamente seguinte ao arranque da segunda parte, ao minuto 46. O Real Madrid reduziu aos 74 minutos, mas nunca conseguiu empatar. A solidez defensiva dos bávaros — com Manuel Neuer a realizar sete defesas em Madrid — foi determinante para trazer um resultado valioso para a segunda mão.

Bayern na Primeira Divisão da Europa — O Real Eliminado

A eliminação do Real Madrid nas quartas-de-final é uma das grandes surpresas desta edição da Champions League. Os merengues, com Mbappé, Vinícius e Bellingham no onze, eram considerados um dos grandes favoritos ao título. A equipa de Ancelotti mostrou qualidade ofensiva enorme — 4 golos em Munique, num total de 4 ao longo dos dois jogos —, mas a disciplina foi uma falha crítica que acabou por pesar.

Para o Bayern, a passagem às meias-finais representa a confirmação de uma temporada de alto nível. Com 10 golos marcados nas quartas-de-final (6 na eliminatória contra o Real, após ter eliminado a Atalanta por 10–2 no agregado nos oitavos), a equipa de Kompany apresenta-se como candidata séria ao troféu. Harry Kane está em forma de destaque europeu, Olise tem dado dimensão técnica ao ataque, e Kimmich continua a ser o maestro de um meio-campo que não para.

O Bayern aguarda agora as meias-finais, onde irá encontrar um dos outros semifinalistas — o confronto com o PSG está já agendado para 28 de Abril (1ª mão) e 6 de Maio (2ª mão). Depois de uma noite como esta, a Allianz Arena acredita que o troféu pode voltar a Munique.