Os 'Gunners' sofreram durante noventa minutos mas contaram com o fado dos descontos para sair de Lisboa com uma vantagem preciosa rumo ao encontro da segunda mão em Inglaterra.
O Estádio José Alvalade viveu uma noite de paixão e sofrimento. O Sporting CP trabalhou, lutou e chegou a merecer empate ou até mais — mas foi o Arsenal que, no segundo minuto do tempo adicional, fez calar as bancadas verdes e brancas com o único golo da partida.
A equipa de Ruben Amorim entrou em campo determinada a surpreender os londrinos. Os leões apostaram num bloco médio organizado, procurando explorar a profundidade com Francisco Trincão e Maxi Araujo em transições rápidas. O Arsenal, com 58% de posse de bola ao longo do jogo, exerceu a sua supremacia territorial mas encontrou uma linha defensiva leonina bem posicionada e disciplinada.
Nos primeiros quarenta minutos, o jogo foi equilibrado. O Sporting surgiu com três remates enquadrados — os mesmos do Arsenal no primeiro tempo — e as balizas de Rui Silva e David Raya estiveram igualmente ameaçadas. Um cartão amarelo mostrado ao central Ousmane Diomandé, aos 31 minutos, complicou ligeiramente a vida da defesa leonina para o resto da noite.
'Trabalhámos para este resultado durante semanas. Sabíamos que o Arsenal é uma equipa de grande qualidade, e ficámos muito perto de lhes negar os três pontos. Agora temos de ir a Londres sem medo.'
Na segunda parte, Arteta introduziu maior intensidade ofensiva, com Martin Ødegaard a orquestrar o jogo a partir do meio-campo. Kai Havertz e Gabriel Jesus criaram vários lances de perigo, mas o guarda-redes Rui Silva respondeu com quatro defesas ao longo do encontro — tantas como o seu homólogo David Raya do lado inglês. O Sporting mostrou, assim, que nunca abdica de jogar futebol, mesmo diante de um dos conjuntos mais poderosos da Europa.
Aos 70 minutos, Arteta recorreu ao banco para introduzir frescura. Christian Nørgaard e Leandro Trossard ganharam minutos, enquanto o Sporting respondia com substituições táticas aos 62 e 79 minutos. O empate parecia o resultado mais justo — mas o futebol raramente se rege pela justiça.
No segundo minuto do tempo adicional, num lance de pressão inglesa na área portuguesa, o Arsenal marcou o golo que vale ouro antes da segunda mão. A bancada visitante delirou. As famílias sportinguistas, que tinham aguentado mais de noventa minutos de emoção, saíram de cabeça baixa, mas com a consciência de que a equipa deu tudo.
Apesar da derrota, o Sporting tem razões para acreditar. O clube de Alvalade mostrou que pode competir com as melhores equipas do continente. Com três remates enquadrados — o mesmo número do Arsenal no que à ameaça à baliza diz respeito — os leões só pecaram na eficácia. Rui Silva foi um dos melhores em campo.
A segunda mão disputa-se no Emirates Stadium, em Londres, na próxima quarta-feira, 15 de abril. O Sporting precisa de marcar em Inglaterra para ter hipóteses de inversão. As probabilidades sorriem ao Arsenal — 68,4% de chances de apuramento —, mas o futebol já nos ensinou que o impossível é apenas aquilo que ainda não aconteceu.
'Acredito que vamos a Londres e fazemos história. Este grupo nunca desistiu e esta derrota dói, mas não nos quebra.'
O Sporting vai a Londres com uma desvantagem mínima, mas com o orgulho intacto. Alvalade aplaudiu de pé a equipa no final. E talvez seja esse o sinal mais poderoso desta noite europeia: a confiança de um povo que ainda acredita nos seus leões.
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