Crystal Palace e West Ham dividem os pontos em Selhurst Park num jogo intenso, disputado ao milímetro e decidido pelas defesas das duas equipas.
Selhurst Park recebeu na noite desta segunda-feira um confronto londrino sem grandes exibições de qualidade técnica, mas com toda a intensidade que o final da temporada exige. Crystal Palace e West Ham protagonizaram um 0–0 que serve ambas as equipas de formas distintas: os Eagles travam a sangria de resultados negativos em casa, enquanto os Hammers regressam a este recanto sul-londrino com um ponto que pode ser valioso na corrida pela manutenção.
Sob o comando de Oliver Glasner, o Crystal Palace apostou num bloco médio compacto, com Jefferson Lerma e Will Hughes a controlarem o corredor central e a protegerem a linha de quatro defesas. Perante a ameaça de Jarrod Bowen e Crysencio Summerville, Daniel Munoz e Tyrick Mitchell foram obrigados a um esforço defensivo permanente. O resultado foi conseguido, mas ao custo de muito esforço físico.
O West Ham chegou a Selhurst Park com uma organização táctica mais vertical. Taty Castellanos funcionou como referência avançada, servido por um Pablo dinâmico nos espaços entre linhas. A dupla voltou a criar problemas, mas a sólida prestação de Dean Henderson — que somou três defesas importantes — impediu que os visitantes quebrassem o zero. O guarda-redes inglês foi, sem margem para dúvida, a figura da partida pelo lado do Palace.
A posse pertenceu claramente ao Palace, que controlou 53% do tempo com bola. No entanto, essa superioridade estatística não se traduziu em situações de golo límpidas. Dos 9 remates tentados pelos anfitriões, apenas 2 enquadraram a baliza de Mads Hermansen — excelente nas suas intervenções e um dos responsáveis pelo nulo final. Os Eagles sofreram ainda com a falta de profundidade no último terço: Jorgen Strand Larsen e Brennan Johnson, apesar do movimento intenso, estiveram isolados em várias fases do jogo.
Do lado dos Hammers, os 6 cantos conquistados em relação aos apenas 4 do Palace sugerem uma equipa que procurou o perigo pelo flanco, sabendo explorar a bola parada como alternativa à construção apoiada. Tomas Soucek dominou o jogo aéreo no meio-campo, mas não conseguiu o golo que por vezes lhe sai em momentos semelhantes.
Os últimos minutos foram os mais agitados do encontro. A tensão acumulada ao longo de 90 minutos de combate resultou em dois cartões amarelos exibidos nos instantes finais — um para cada equipa — num sinal claro de que o ponto em disputa importava a ambas. Glasner apostou numa tripla substituição aos 59 minutos que conferiu frescura ao meio-campo do Palace, algo que não existia desde os primeiros instantes da partida.
O Crystal Palace tem um calendário exigente pela frente. Na próxima jornada, os Eagles deslocam-se a Anfield para defrontar o Liverpool — líder isolado da Premier League — num encontro que colocará à prova toda a solidez defensiva exibida esta noite. Para o West Ham, segue-se a continuação de uma luta pela manutenção onde cada ponto tem o valor de ouro.
No balanço final, o zero a zero de Selhurst Park é o retrato fiel de uma segunda volta competitiva em que os jogos ganhos nos detalhes valem tanto quanto as exibições de grande galas. Dean Henderson e Mads Hermansen foram os heróis da noite — figuras que, na obscuridade dos resultados sem golos, por vezes decidem tudo.
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