Num jogo onde o Real Madrid dominou com 64% de posse mas nunca conseguiu travar o sangue-frio mallorquino, a equipa das ilhas consumou uma das surpresas da temporada — golo do empate aos 88 minutos pelo Madrid, resposta devastadora do Mallorca aos 90, vitória final por 2–1.
O Real Madrid, segundo classificado e a tentar manter a pressão sobre o Barcelona, saiu de Maiorca de mãos a abanar depois de uma derrota tão dolorosa quanto improvável nos números: mais posse, mais remates, mais cantos — e menos golos. O Mallorca, com apenas 36% de bola e cinco remates no total, venceu com plena justiça de espírito, mesmo que os números puros contem outra história.
A tarde começou em modo de resistência para os locais. Jude Bellingham, Vinicius Júnior e Arda Güler combinaram ao longo dos primeiros 40 minutos numa toada que parecia preparar o golo visitante. Mas a defensiva do Mallorca, com Valjent e Kumbulla irrepreensíveis na retaguarda, resistiu à maré branca com disciplina e concentração absolutas.
Primeiro golo aos 42' — Son Moix enlouquece antes do intervalo
Quando o relógio marcava os 42 minutos e o Son Moix já esbravejava com uma equipa que parecia condenada a sofrer, o Mallorca arrancou numa das suas raras transições ofensivas com Muriqi e Abdon. O avançado kosovar, temível no ar e nas segundas bolas, aproveitou uma indefinição da defesa madridista para rematar com força e inaugurar o marcador. O estádio explodiu. Era uma bofetada no Real Madrid — e no rácio do jogo.
A equipa de Carlo Ancelotti foi para o intervalo atordoada, consciente de que tinha dominado o jogo mas que o Mallorca estava a ganhar. Ao intervalo, a conversa nos balneários tinha a urgência de quem sabe que o tempo é escasso.
OMallorca fez exactamente o que um candidato à manutenção deve fazer quando recebe o segundo classificado: defendeu com alma, atacou com veneno, e nunca baixou os braços.
— ANÁLISE PÓS-JOGO · SON MOIXMadrid lança três substituições aos 59' — e ainda assim não chega
Ancelotti não esperou mais. Ao minuto 59, três substituições simultâneas sacudiram o banco merengue: Mastantuono, Garcia e Palacios entraram para adicionar frescura e criatividade. O Real Madrid passou a pressionar de forma mais intensa, e a posse já elevada — 64% no total — tornou-se ainda mais sufocante. O Mallorca recuou, organizado, deixando apenas os contra-ataques a Asano e à velocidade de Kalumba.
O tempo passava, os madridistas acumulavam remates — seis à baliza, quinze no total —, e Leo Román, o guarda-redes do Mallorca, foi o herói silencioso de uma tarde épica, com cinco defesas que mantiveram a vantagem. Parecia que Mallorca aguentaria até ao apito final.
O drama dos últimos dois minutos: dois golos, uma viagem à loucura
Aos 88 minutos, quando a resistência mallorquina parecia ser suficiente, Jude Bellingham surgiu numa jogada de classe individual para nivelar o marcador — 1–1. O Son Moix calou-se por instantes. Era o empate que parecia salvar o Madrid da vergonha e deixar o Mallorca sem nada. Dois minutos de desespero aguardavam-se.
Mas o futebol escreve-se com tinta de surpresa. Aos 90 minutos, numa jogada construída na velocidade e no pânico defensivo visitante, o Mallorca aproveitou uma perda de bola a meio-campo do Real Madrid para lançar um contra-ataque cirúrgico. O golo entrou. 2–1. O Son Moix explodiu numa erupção de alegria que demorou minutos a serenar. No banco visitante, o silêncio era ensurdecedor.
O árbitro ainda exibiu dois cartões amarelos nos instantes finais — um para cada equipa — numa tarde que terminou exactamente como começou: com o Mallorca a não se vergar ao peso do nome adversário.
Impacto na corrida ao título
Esta derrota — a quinta da temporada para o Real Madrid — é um golpe significativo na corrida ao título. O Barcelona lidera com 76 pontos, e a diferença para os merengues alarga-se agora para sete pontos. Com sete jornadas por disputar, o caminho começa a estreitar-se para quem vestiu branco em Maiorca e não soube aproveitar a superioridade em campo.
Para o Mallorca, que ocupa o 17.º lugar com 31 pontos, esta vitória vale ouro na luta pela manutenção. Três pontos que chegam no momento certo, com uma mentalidade que demonstrou que a divisão não está perdida para os insulares. O Son Moix viveu, neste 4 de Abril, uma tarde que os seus adeptos recordarão por muito tempo.
Seja o primeiro a comentar!